Blog.

Dicas sobre a economia e investimentos. Não tem conta? criar conta

Brasil: economia e perspectivas de uma agenda liberal

Um panorama dos ciclos econômicos recentes, dos desafios atuais e dos possíveis efeitos de uma agenda liberal com amplo apoio no Congresso.

Panorama econômico

O Brasil nos últimos oito anos

2018–2019: Após a recessão de 2014–2016, a economia iniciou uma recuperação gradual. A Reforma da Previdência foi aprovada em 2019, enquanto a Selic atingiu mínimas históricas e a inflação permaneceu sob controle.

2020–2022: A pandemia provocou uma queda de 3,3% no PIB em 2020 e levou à adoção de auxílios emergenciais. A reabertura, a demanda global por commodities e o agronegócio impulsionaram a recuperação, acompanhada por fortes pressões inflacionárias. A Selic subiu de 2% para 13,75%.

2023–2026: O crescimento foi sustentado pelo consumo, pelo mercado de trabalho e pelas exportações. O período também foi marcado pelo Novo Arcabouço Fiscal e pela Reforma Tributária sobre o Consumo, que introduziu IBS e CBS. A dívida pública em relação ao PIB segue entre os pontos de atenção.


Cenário atual

Atividade, contas públicas e juros

Atividade e empregoMercado aquecido

Emprego e rendimento real apoiam o consumo e a atividade econômica.

Política fiscalDívida em foco

A trajetória da dívida e o cumprimento das metas fiscais preocupam os mercados.

Política monetáriaSelic e inflação

O Banco Central calibra os juros diante das incertezas domésticas e externas.

O setor externo mantém fundamentos sólidos, mas o equilíbrio entre crescimento, inflação e sustentabilidade fiscal continua central para as perspectivas do país.

Posicionamento político

A visão econômica de Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro é senador da República pelo PL-RJ. A Presidência da República é ocupada por Luiz Inácio Lula da Silva. O posicionamento descrito neste artigo associa sua atuação à plataforma conservadora-liberal do partido.

Estado e setor público: defesa de privatizações, concessões de infraestrutura, contenção de gastos e reforma administrativa.

Ambiente de negócios: desregulamentação, desburocratização e redução de impostos sobre empresas e investimentos.

Agronegócio e comércio: segurança jurídica no campo, proteção ao direito de propriedade e ampliação de acordos comerciais.

Cenário hipotético

Uma agenda liberal com maioria no Congresso

Uma base ampla na Câmara e no Senado poderia reduzir entraves de governabilidade e acelerar a tramitação de reformas. Ainda assim, propostas de emenda à Constituição exigem o apoio de três quintos dos votos em dois turnos em cada Casa; maioria absoluta, por si só, não basta.

Nesse cenário, a prioridade fiscal poderia se deslocar para o controle de despesas, com reformas administrativas e revisão de despesas obrigatórias e vinculações orçamentárias. Também poderia haver aceleração de privatizações e concessões em setores como logística e infraestrutura.

Maior previsibilidade e uma pauta pró-mercado poderiam favorecer a percepção de risco, atrair investimentos e reduzir os juros de longo prazo. Esses efeitos, porém, dependeriam da credibilidade fiscal e das condições econômicas internas e globais.

Riscos e pontos de atenção

Cortes de gastos precisariam ser calibrados para não comprometer programas sociais essenciais nem ampliar conflitos sociais e políticos. A sustentabilidade da agenda também dependeria de os investimentos privados compensarem, em emprego e renda, uma eventual redução do investimento público.

Privatização e ativos estratégicos

Uma venda da Petrobras poderia reduzir a influência pública sobre decisões de investimento, oferta de combustíveis e prioridades de longo prazo. Se a regulação e a concorrência forem insuficientes, há risco de concentração de mercado, menor proteção contra interrupções no abastecimento e repasse de custos ao consumidor. O Estado também deixaria de receber dividendos e teria menos instrumentos para orientar investimentos estratégicos.

A Vale já foi privatizada, em 1997. Nesse caso, os riscos estão ligados à manutenção do controle privado e a qualquer mudança societária: priorizar retornos de curto prazo pode entrar em tensão com segurança de barragens, reparação de danos, proteção ambiental, direitos de trabalhadores e comunidades, além da captura pública de receitas da mineração. Regulação independente e fiscalização efetiva são decisivas em qualquer modelo de controle.

Se a agenda liberal não avançar

Caso o governo mantenha ou amplie a intervenção estatal sem regras fiscais críveis, o mercado pode exigir prêmios maiores para financiar a dívida. Isso poderia pressionar juros de longo prazo, câmbio e inflação, encarecendo o crédito e reduzindo o investimento privado.

A demora em reformas ou mudanças frequentes nas regras também pode elevar a incerteza e adiar projetos. Esses efeitos não são automáticos: dependem das contas públicas, da qualidade das políticas adotadas, do cenário externo e da capacidade do governo de sustentar crescimento e serviços públicos.

Os riscos dependem do desenho das políticas, da regulação e da execução.